25 abril 2012

Inclusão do pescado na alimentação escolar é meta da Administração Municipal

Grupo visitou as instalações da propriedade do piscicultor Sigmar Sheer (e)

Uma comitiva formada pela Secretária Municipal de Educação e Cultura, Nelda Erthal Cofferri, Nutricionista e Responsável Técnica pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Lise Bohn Mirandolli, e pelo Técnico em Agropecuária da Emater-RS/Ascar, Deoclésio Piccoli, visitaram, na última semana, a propriedade do piscicultor Sigmar Scheer, localizada na Linha Fazenda Lohmann.

O objetivo da vistoria é incluir o pescado na alimentação escolar dos alunos da rede municipal de ensino, bem como desenvolver políticas públicas definidas que os estimulem desde cedo a consumirem peixe, um alimento nobre e nutritivo.

Na oportunidade, o grupo conheceu as instalações do abatedouro, etapas do processamento do pescado, tanques de depuração, equipamentos para filetação e limpeza e os tipos de corte, definindo o mais adequado para a alimentação escolar, o peixe desfiado. “Todo peixe tem espinho. É um risco. A única solução para a merenda escolar o peixe desfiado manualmente após ser cozido”, completa Scheer.

Conforme a Nutricionista Lise, as opções de receitas são variadas. “Podemos fazer bolinho, bolo salgado, pizza, arroz de forno, molho para massa, entre outros. Tudo muito nutritivo e saudável para os estudantes”, afirma, salientando que, inicialmente, a intenção é oferecer semanalmente o pescado.

Porém, de acordo com Lise, antes de incluir o pescado nas escolas, é necessário qualificar as merendeiras. “Precisamos previamente ensinar as merendeiras, pois muitas não possuem a cultura de comer peixe”, completa.

Desta forma, Piccoli colou-se à disposição para ser ministrante de cursos de capacitação para as cozinheiras e merendeiras. “Podemos ofertar uma oficina de culinária, como a que desenvolvemos com os clubes de mães e os beneficiários do Programa Bolsa Família, o curso de Processamento de Culinária e Pescado. Após os ensinamentos de receitas e diversos pratos à base de peixe, a inclusão do pescado, um dos setores que mais de destaca no município, será mais um concretizado”, destaca.

De acordo com a Secretária Nelda, o projeto gera mudanças na qualidade de vida dos alunos. “É algo novo, que gradativamente vamos o enriquecendo. Com a disseminação do pescado dentro da escola, os alunos vão levar às suas casas a importância do seu consumo, o que terá como consequência direta um maior consumo de peixe entre os rocassalenses”, diz.
“Temos tudo para por em prática esta proposta. O grande número de açudes do município, produtores e o abatedouro de Scheer são alguns dos benefícios que possuímos em relação aos demais municípios. Vamos mapear o fornecimento do pescado, enviar ao Ministério da Pesca e Aquicultura, e, após, não medir esforços para inseri-lo na alimentação das nossas crianças”, finaliza a titular da pasta.

Saiba mais sobre a vistoria

A visita serve como um mapeamento proposto pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), através do Fundo Nacional de Desenvolvimento e Educação (FNDE) com o intuito de identificar a situação do fornecimento do pescado nas escolas da rede pública nacional, pois este alimento proporciona a melhoria da qualidade nutricional das refeições oferecidas aos estudantes, além de dinamizar a economia local das comunidades, quando adquirido por criadores locais, como é o caso de Scheer.

Em todo o País, cerca de 45 milhões de crianças e adolescentes estudam nas escolas que estão sendo mapeadas.A mobilização conta com o apoio das secretarias municipais e estaduais de educação, bem como com a adesão das escolas e centros técnicos federais.

Após o “raio-x” completo, os resultados da pesquisa possibilitarão o MPA e o FNDE a aquisição de dados locais para desenvolver um trabalho sistêmico de políticas públicas regionais voltadas para a alimentação saudável, a educação e a segurança alimentar e nutricional dos alunos.

Em 2009, uma pesquisa semelhante, mas menos detalhada do que a atual, foi realizada nas escolas públicas. Dos 5565 municípios participantes, apenas 31% responderam à convocação. Ficou constatado que apenas 12% dos alunos da rede escolar pública nacional eram beneficiados com o pescado em sua alimentação. E, mesmo assim, apenas 5% dos 1718 municípios ofertavam pescado uma vez por semana.

A meta para 2012 é aumentar a adesão à pesquisa por parte dos responsáveis pelo preenchimento do formulário, nutricionistas e responsáveis técnicos que integrem o PNAE. Desse modo, foi elaborada uma campanha de divulgação da pesquisa junto aos órgãos de educação, FNDE, União dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), para que seja possível obter o maior número possível de respostas. O prazo para a entrega dos questionários foi ampliado até o próximo dia 31 de maio, para que todas as regiões do País estejam bem representadas no universo da pesquisa.

Roca Sales: terra da piscicultura

Conhecido pela Fecarpa e pelas tradicionais Feiras do Peixe Vivo, Roca Sales está entre os maiores produtores de peixe do Vale do Taquari.

Com uma produção que gira em torno de 80 mil quilos e mais de 350 açúdes, o município tornou-se um difusor de tecnologia nesta atividade.

A cidade conta também com a Associação Rocasalense de Piscicultura. Criada em 1992, hoje possui 16 sócios e desempenha um papel fundamental na produção de peixe no município e região, com a produção em escala comercial.

Devido ao seu destaque, a intenção das entidades envolvidas é qualificar os produtores através de cursos e formações. “Podemos, aqui em Roca Sales, duplicar a produção de peixes, que hoje é de oito toneladas por ano, sem construir um açude, apenas aperfeiçoando e capacitando o produtor”, afirma o especialista, Deoclésio Piccoli, salientando que a Emater/RS realiza constantemente análises dos resultados e a  definição dos objetivos e ações do programa de piscicultura. “Trabalhamos também com a reforma, melhoramento dos açudes existentes e controle da qualidade da água, com o objetivo voltado à produção de peixe para o consumo familiar”, finaliza Piccoli.

Pescado no Brasil

O brasileiro ainda consome pouco pescado em relação ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2010, o consumo interno atingiu a média de 9,75 quilos/ano por habitante, quando a entidade internacional recomenda pelo menos 12 quilos. A única exceção é a região Amazônica, onde o consumo de peixe é elevado, pelos hábitos enraizados e a falta de uma concorrência mais forte com a carne de frango.

Texto/Foto: Vitória Stürmer Bortoletti

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